As reações de uma opinião
Os blogs se propagaram, conquistaram seu lugar na mídia e, o que deveria inflamar a internet com opiniões sinceras e criticas construtivas, acabou nos inserindo em uma zona de conforto repleta de diplomacias. As criticas das coleções foram substituídas por descrições, as opiniões são sempre positivas e o que não agradar é jogado para debaixo dos panos, afinal, já pensou que sufoco você falar mal de uma marca e depois ser convidada à viajar patrocinado por ela? Melhor não arriscar. Mas ainda há quem tenha independência e credibilidade para falar o que realmente acha e, com isso, esquentar os ânimos diante desta fria temporada de desfiles de inverno 2013.
Acredito que todos já conhecem e sabem qual o estilo da Glória Kalil, para quem ela fala e com que finalidade ela fala: É uma mulher clássica que fala para mulheres adultas, que visam vestir-se bem dentro dos padrões de etiqueta da sociedade. Não é atoa que a jornalista já publicou diversos livros que tratam muito bem sobre isso, tem o seu quadro no fantástico onde dá dicas de comportamento e moda para quem quer estar sempre bem adequado.
Fausen Haten, por sua vez, é um estilista com muita veia artística. Suas criações são baseadas em bons tecidos, bom corte, mas sempre muito ousadas seja em cores, volumes, texturas ou seja em seus desfiles-performances que já tiveram de modelos vendadas à números de dança … Tudo é permetido e, para alguns, essa liberdade causa estranheza, mas para outros, ela encanta. Para quem não sabe, entre suas críticas de inverno 2013, Glória Kalil sugeriu que Fausen Haten fizesse um musical porque, segundo ela, dificilmente uma mulher de qualquer idade ou estilo vai achar lugar melhor do que o palco para usar suas criações. Enquanto Fausen, em resposta, discursou em seu facebook que muitas mulheres desejam as suas peças sim e que a moda mudou.
Na minha opinião (talvez com altas influências do meu ascendente em libra), os dois estão certíssimos nessa história. Para o público alvo de Glória Kalil, o desfile de Fausen realmente se limitaria aos palcos, pois dentro dos padrões de etiqueta, seria mais complicado ver as criações do estilista na vida real. Mas nem todo mundo está ligados a esses padrões e usam a liberdade que conquistamos na moda para vestir-se como quiser, mesmo que, pra certas pessoas, possa parecer o figurino de um musical. São grupos diferentes, pessoas com diferentes ideias e procurando transmitir mensagens diferentes com aquilo que vestem. Para essas pessoas não há regras que definam as roupas a serem usadas nos palcos ou na vida real.
Acaba que quem sai ganhando somos nós, interessados por moda, que somos levados a pensar e analisar as mudanças que acontecem e como funciona o nosso meio. E eu sou a favor de mais criticas, opiniões e debates, afinal, é o melhor meio de nos entendermos e então evoluir com a moda.


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