A camisa que falou a merda que muita gente pensa

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“Não diga talvez se você quer dizer não”

Essa frase, que estava estampando camisetas à venda nas Forevers 21 por aí, nos faz pensar. Será que são os nossos talvezes os responsáveis por tanto abuso? Será essa apenas uma maneira de culpabilizar a vítima ou eles realmente acreditam nisso? Eles vão para sempre entender o nosso não como um charminho? Como um jogo de sedução? Como uma possibilidade de investir? Como mais um desafio para o ego?

Justin Bieber, a sua música pode ser um chiclete pro meu ouvido, o seu clipe com efeito neon eu estou babando até hoje. Mas você jura que não entende o que eu quero dizer? Eu posso dizer talvez quando eu achar que talvez role. Da mesma forma que quando eu digo não é não. E quando eu digo sim eu não estou sendo fácil. Eu estou apenas concordando com uma coisa que você também quer. E, da mesma forma, quando eu tomar a atitude, não estarei sendo atirada. Estou apenas assumindo as responsabilidades por algo que eu quis que acontecesse. Assim como você faria se o quisesse.

As pessoas foram levadas a acreditar que os relacionamentos nascem de desafios. Por muito tempo acreditamos que a conquista é uma brincadeira de quem consegue convencer a outra pessoa, depois de muito lutar, que valeu a pena se render. Porque é com esforço que a gente aprende a dar valor para aquilo que conseguiu. Será?

Vou te contar um segredo:

O nosso sim, o nosso talvez e o nosso não não diminuem em nada o nosso valor. Eles querem dizer exatamente o que a gente quer dizer. O nosso valor está em tantas outras coisas. O nosso valor está em tudo aquilo que a gente acredita, nas ideia que nós temos, nas conversas que a gente leva e no quanto a gente cresce junto. O nosso valor está nos momentos divertidos e nas risadas que compartilhamos, nos momentos que a gente se sente bem em estar perto e naquilo que a gente vê crescer e evoluir um com o outro. É aí que a gente encontra o valor.

E você que comprou essa camisa, por favor:

“Não interprete como sim o meu talvez”

Fonte: Huffington Post

Hayley Williams se casou, de camiseta

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Imagem: C.Smith/ WENN.com

Lembro até hoje quando eu, com meus 7 anos de idade, não entendia muito bem porque eu não podia ir de sutiã para a escola. Na verdade, nem sei porque eu tinha um sutiã com 7 anos. Mas, provavelmente, foi um pedido insano que eu fiz a minha mãe, ela deve ter achado muito fofinho e me deu. O que esperar de uma geração que foi criada assim, não é mesmo?Eu não via a menor diferença entre aquele top vermelho de renda daquele outro que eu usava na praia. Ou daquele coloridinho que eu tinha para coreografar as músicas do É o Tchan. Pra mim, tudo o que uma roupa precisava fazer era cobrir os meus seios e isso o sutiã já fazia.

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O vestido de noiva de Hayley / Imagem: yelyahwilliams._

E foi não entendendo muito bem a diferença entre um sutiã, um biquini e um top que certo dia, algum que tinha aula de natação na escola, eu não vi o menor problema em colocar a minha lingerie para dar uma volta. Minhas amigas me chamaram de louca, todo mundo ficou olhando e eu nem me lembro como terminou essa história. Mas sei que foi aí que entendi que, de alguma forma, não é a função que importa, mas a conotação.

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De camiseta a gente é mais feliz / Imagem: yelyahwilliams._

Parece que eu não fui a única nessa geração a me incomodar com essas regras e, parece que agora estamos todos nos questionando e unindo forças pra mudar essas ideias que não casam com as nossas. Não somos obrigadas a usar salto no tapete vermelho, e podemos usar sim um creeper na Casa Branca. E, por que não casar de camiseta? Não, ela não abriu mão de entrar na igreja com um vestido de noiva, lindo e cheio de organza. Mas foi na festa, com uma camiseta e uma simples saia listrada que ela se divertiu mais, tirou mais fotos, cortou e pode trocar bolo na cara com o seu marido Chad, nome que estampou na camiseta. Muito mais leve e despreocupante do que se desesperar com a possibilidade de sujar e manchar um vestido de noiva.

Fashion-Shaming: para quê falar mal da roupa alheia?

Faz quase um ano que eu botei a cara em Nova York. Confesso que Londres sempre me atraiu muito mais, mas, começar por Nova York, devemos combinar, é viver um sonho mesmo que seja um sonho que você nunca sonhou. E se você me perguntar o que mais me impressionou? Se foi a estrutura da cidade, as construções, a experiência da neve, a vista do Brooklyn Bridge ou ver a cidade toda iluminada do alto do Top of the Rock? Também. Mas, para mim, o mais apaixonante foi usar um casaco de pele, volumoso, branco, por muitos considerado excêntrico e extravagante, pasmem, sem ser julgada por isso.

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Era meu sonho ter um casaco daqueles. Antes mesmo de chegar lá passei noites pesquisando pela internet aonde eu poderia comprar. Achei, passei o cartão na Asos e mandei entregar no endereço aonde eu estaria dali a uma semana. Só para garantir que não ia curtir o inverno e a neve sem o meu casaco dos sonhos. Me falaram que o frio era cruel e que aquele casco jamais seria suficiente pra me aquecer diante temperaturas que beiravam a tortura medieval. Mas fazer o que? A gente, quando cisma com alguma coisa, nem a possibilidade de ter os nossos membros atrofiados nos faz desistir.

Acontece que quando ele chegou a realidade foi outra. Me pareceu muito ousado, tinha muito pelo, muito volume, MEU DEUS, eu jamais, em inverno algum, nem se estivéssemos no período mais duro da Era Glacial, poderia usar isso no Brasil. Não pelo frio mas pelo fato de ser impossível usar algo do tipo sem sofrer o desconforto de ser insultada pelas ruas, sem que as pessoas me olhassem estranho, sem que as pessoas fizessem piadas sobre como eu estou. Mas ele era tão lindo, tão fofinho e quentinho e, na época, com o dólar a 3 reais (saudades, dólar a 3 reais) não havia sido nada barato e era o que eu tinha investido pra passar o inverno por lá… Eu tinha que usar. USEI.

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Zoe Schlacter ao se deparar com a sua foto rolando no Snapchat

E foi naquele momento que, mesmo sem saber, senti o meu primeiro respiro de liberdade. Ninguém me olhou feio, ninguém ficou cochichando pelos cantos. Independente de eu parecer um Homo de Neandertal coberta com a pele de uns 5 ursos polares, ninguém deu a mínima. E, no final das contas, é assim que as coisas deveriam ser mesmo. Só eu tenho que me importar com a roupa que eu estou vestindo. É no meu corpo que ela está. Uma senhora fofa veio, inclusive, me elogiar e falar que eu estava vestida como um princesa para aquele dia horroroso e frio. Me senti tão bem. Me senti tão querida. Aquela mudança no dia de uma pessoa quando ela recebe um elogio inesperado de uma pessoa inesperada.

Mas parece que nem sempre é assim que as coisas funcionam. Mesmo na cidade onde as pessoas, supostamente, tem a mente aberta e prezam pela liberdade, aonde tudo acontece e tudo é possível, pessoas ainda se dão ao trabalho de continuar palpitando e, pior ainda, expondo a liberdade das outras pessoas. Pessoas são pessoas no mundo inteiro e mesmo que com uma cultura diferente, essa artimanha de tentar diminuir aquilo que é diferente de você para que não seja uma ameaça, ou simplesmente pelo prazer e pela sensação de superioridade, ainda é algo constante que, para muitos é difícil de desapegar. Principalmente quando estão protegidas pelo anonimato das redes sociais.

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Carlye Wisel sofreu Fashion Shaming e compartilhou a sua história com o Racked

Tá todo mundo meio perdido, tá todo mundo com as suas questões e as suas coisas na cabeça pra resolver e, em pequenas atitudes, as vezes elas se perdem. Uma pessoa que julga a roupa de alguém desconhecido na rua não é tão distante de atos de ofensa racistas, misóginos ou homofóbicos. Respeitar é ter pelo outro a consideração para não fazer ou não dizer coisas desagradáveis, mesmo que essa pessoa não vá saber. O respeito pelo outro acaba refletindo e dizendo muito mais sobre a gente do que qualquer outra coisa. Respeitar é uma palavra simples e ela não tem categorias.

Bora ajudar a espalhar essa ideia?

Carnaflix: 10 filmes sobre a história do rock para ouvir música boa nesse carnaval

Tá afim de curtir uma boa nesse carnaval? Ouvir boa música, conhecer gente talentosa, se aprofundar sobre a historia, passar um tempo confortável e aprendendo muito sobre essa vida que a gente vive? Bem, vou te mostrar o caminho: Maratona com 10 filmes sobre a história do rock!

Amy

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Quatro anos após uma morte prematura, a cantora britânica Amy Winehouse ganha um documentário completo revisitando os momentos mais marcantes de sua carreira. O melhor aqui é descobrir como funcionaram os bastidores do sucesso da Amy, como funcionou a sua relação com as drogas, a mídia e a percepção do tanto de talento que a menina tinha… Vida real na veia.

Assista agora: Netflix

 

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GirlBoss Empire: Muito além do livro vai ter Sophia Amoruso no Netflix

Tem vezes que o mundo é tão maravilhoso que você não consegue acreditar que está viva para ver certo tipo de coisa acontecer. Tipo quando o Neil Armstrong pisou na lua ou Marvin Stone criou o canudo, melhor invenção de todos os tempos. Foi bem em 2006 que Sophia Amoruso criou a Nasty Gal e eu me lembro de estar no Last.fm quando aquelas propagandas cheias de Jeffrey Campbells não conseguiam me poupar um clique. Logo eu, heavy user das internets, ultra tecnológica, jedi dos ad blockers. Nada nessa vida jamais me faria clicar em campanhas online. Até a existência da Nasty Gal.

O Livro:

Desde então tem sido como um religião, principalmente após o lançamento da sua bíblia, GirlBoss que, quem leu pendurou em um relicário e quem não leu certamente já deu like em meia dúzia de fotos da capa no instagram, quotes no tumblr, frases no twitter e printou no snapchat.

O Vlog:

E foi então que Sophia achou pouco, estrelou no Youtube com um papo super pé no chão e uma cerveja na mão. Temos poucos episódios, só 3 para ser mais precisa. Me parece que a vida de rockstar com viagens de trailer e shows palestras atrapalharam o andamento do canal. Mas a esperança de continuar batendo um papo e bebendo cerveja com Sophia não termino. Quem sabe com mais um pouco de seguidores, comentários e likes ela não se anima?
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O Podcast:

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Podcast pode parecer muito anos 00 para alguns mas ainda é a melhor maneira de ouvir um bom papo e eu, pelo menos já passei do ponto umas 4 vezes viajando nas histórias de outras GirlBosses. Já teve Charlize Theron, Grace Helbig, melhor vloguer do mundo segundo eu mesma, e Courtney Love.
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A série:

E, como se não bastasse, segura essa bomba, (na verdade você já sabe pelo título mas vamos ignorar esse fato e fazer um drama porque o anúncio é importante) teremos a história da nossa musa também em audiovisual. GirlBoss ganhou o Netflix e vai ter série sim pra encher os nossos corações e as nossas maratonas de fim de semana.

Não podia ser diferente, vai ser uma série de comédia, com Kay Cannon, escritora de Pitch Perfect e Charlize Theron. Ainda não temos datas mas os nossos corações parecem que já estão tão empolgados quanto o anúncio de Star The Force Awakens só que com um pouco mais de glitter, couro e cinturas altas.

Dá aquele ciuminho de saber que você vai ter que dividir a história que você ama com cada vez mais pessoas. Mas ao mesmo tempo dá um orgilho tão grande!

Agora vocês imaginem o figurino o que não vai ser? U GO GIRLBOSS!