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The End, a música dos Beatles que a gente não soube interpretar

Os Beatles fizeram The End e, quando os Beatles concretizam algo numa música, a probabilidade de estar certo é maior do que chover quando a nossa mãe manda a gente levar um guarda-chuva. Mas tinha uma conta que não fechava muito bem na cabeça. Apesar de ser de humanas e a maioria das contas não fechar na minha cabeça, essa particularmente nem tinha números pra eu me atrapalhar tanto. Se, no final, o amor que você recebe é igual ao amor que você dá, por que a gente vive dando de cara com amor não correspondido aumentando a nossa experiência no currículo de trouxa?

A gente não desiste e volta a investir no amor. A gente faz as coisas com amor e não repercute da maneira que a gente esperava. A gente se dedica de corpo e alma aos projetos que não vão pra frente, aos relacionamentos que não acontecem, aos amigos que vacilam com a gente e continuamos a saga sem entender muito bem que horas que a conta vai fechar pra gente receber de volta todo o nosso investimento nessa start up que não decola.

Mas a verdade é que faltam alguns fatores pra fechar essa conta, o que pode fazer dela uma equação de segundo grau das mais enigmáticas na nossa cabeça, mas que na verdade é muito simples de ser resolvida do que a gente imagina. E tudo porque a gente nunca se perguntou de onde vai vir o amor quando for a hora de receber. Então ele até vem, mas a gente tá ali, sentada com a cara no celular esperando o crush responder. A gente fica esperando encontrar a reciprocidade vinda de outra pessoa, bem daquela a quem a gente dedicou horas viajando em pé um ônibus lotado na hora do rush só pra encontra-lo por 20 minutos.

Acontece que não é assim que as coisas funcionam no universo mágico das compensações que os Beatles cantavam. O amor não espera, não faz intermediações e nem terceiriza contatos pra voltar pra você. Já que ele está contigo é alí que ele fica e é ali que ele gosta de ficar. o The End, não é uma conta que se fecha no final da vida mas é uma conta que está constantemente em movimento. Por que o amor que você dedica só chega à outra pessoa se ela permitir mas, em compensação, ele já existe dentro de você e já deve ser o suficiente para te preencher. Não é maravilhosa a sensação de fazer algo com amor? Então não precisa esperar que alguém te devolva aquilo que você já tem contigo. E é por isso que in the end the love you take is equal the love you make. Então faça bom uso dele!

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Sutiã, e quando a gente não usa?

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Foto: Reprodução

Entre todas as experiências da vida, acho que devemos concordar que morar sozinha é o maior divisor de águas. Se você leu o título e não entendeu essa introdução talvez seja porque você não mora sozinha mas aí é só continuar lendo que tenho certeza que você não vai ter problema nenhum para entender o que eu estou falando. Pode ser a dificuldade de fazer comida, a chatice que é ter que limpar tudo o que você suja e aquilo que aparece sujo e você não sabe como. Você faz ideia de quantas vezes por mês é preciso limpar um ventilador de teto? Bem, é muito mais do que eu imaginava. E, se tudo isso vira item na sua lista de tarefas que antes se resumia em estudar, comer e assistir séries, pensa só o que rola na sua relação com as suas roupas? Muda muito. Muda tudo.

Passar é verbo que não se aplica a elas. Roupas amassadas ganham um charme que eu acho único e faço questão de me sentir meio grunge com cada amassado que ela contém, quase uma questão espiritual. E as lingeries, bem, é aí que chegamos ao título. Começou pelo simples fato de eu esquecer de lavar meus sutiãs. Queria colocar na máquina mas tinha medo de estragar então esperava acumular para colocar no modo de roupas delicadas e, até eu lembrar de fazer isso, lá se foram meses e todos eles não saiam do cesto de roupas sujas por nada nesse mundo. E, com isso, meus seios pela primeira vez em anos, enfrentaram uma batalha constante sem eles. E, é agora que eu te explico o que acontece quando você não usa sutiã.

Respirar vira um movimento voluntário delicioso

Esse é o primeiro estágio. Sabe aquela sensação, quando você respira aliviada ao soltar o sutiã quando chegar em casa? Você sente o dia inteiro. Dica: Respire fundo e sinta o ar preencher os seus pulmões sem um elástico marcando como gado as suas costelas. É libertador!

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Como voltar para casa quando você ficar Perdido em Marte

Imagem: Popsci

Imagem: Popsci

Sabe quando você espera muito por alguma coisa? Aquilo que era o seu sonho desde infância? Aquilo que você estudou por anos e se dedicou toda a sua vida? Sabe aquele momento quando você consegue? E sabe quando você consegue mas no final dá tudo errado? Então, deve ter sido assim que o Mark Watney se sentiu quando chegou em Marte e também deve ter sido assim que ele se sentiu quando acordou perdido por lá.

Qualquer pessoa se desesperaria, qualquer pessoa entraria em pânico, estando perdida em um planeta onde a temperatura chega a -143ºC e não tem nem oxigênio na atmosfera!! Lá não dá para respirar!! Não era tão fácil entrar em contato com os recursos que se tinha, a comida acabaria em menos tempo do que era preciso para o resgate, nossa, só problema.

Mas sabe? Quanto maiores as adversidades e mais sem solução elas parecem, surge sempre uma alternativa, aquela que te impulsiona e te desafia a fazer alguma coisa diferente ao invés de reclamar do que deu errado. As coisas mais incríveis da vida foram criadas por pessoas que estavam tentando solucionar um problema que ninguém jamais havia solucionado. As vezes é bom a gente parar de ver o lado negativo das coisas que não dão certo e entender como um desafio, pensar que aquela é a sua única chance de viver uma experiência e desenvolvê-la de maneira única, de uma maneira que só você sabe. Porque só assim a gente volta pra casa quando está perdido em Marte.


Incrível como a tradução do nome do filme faz tanta diferença na interpretação do longa. Enquanto o titulo em português, Perdido em Marte, foca na experiência como a ida e a volta, o nome em inglês, The Martian, já centraliza o desenvolvimento de alguém que realmente viveu em marte, logo, um marciano.

 

O que fazer com as coisas que o tempo não cura

adelenewsong

Foto: Reprodução

Então dizem que o tempo cura tudo. Dizem que só ele coloca as coisas no seu devido lugar e faz com que tudo se encaixe novamente. Que passamos por tempos difíceis mas que nada é eterno porque chega uma hora que a gente se adapta novamente e reconstrói aquilo que ficou. E é o que dizem.

Por trás do tempo pode até haver uma omissão da consciência, uma adequação do corpo, uma trapaça da mente para fazer a vida continuar fluindo porque não é direito sofrer ad infinitum. Mas, na verdade, a maioria das nossas experiências realmente relevantes continuam lá por mais que a gente não esteja mais vendo, por mais que a gente não esteja pensando, pode ter certeza que estamos sentindo.

E então as vezes a gente desmorona, sem saber o por quê, sem saber muito bem como porque as rachaduras que o tempo nos fez habituar continuam lá e isso é importante lembrar. Se a gente precisa manter esse vaso restaurado em jogo o único jeito dele continuar bem é revisitando as rachaduras, dominando com propriedade como ela é, porque está ali, qual a profundidade e como ela afeta a nossa estrutura. Mas nunca, nunca mesmo, sentar e deixar o tempo passar.

E se for o caso, porque não falar?


Texto inspirado no preview da música nova da Adele que mal conheço mas já me fez chorar um tantinho essa manhã.

Sobre dedos apontados quando você está só sendo você

Não é sobre a maquiagem, sobre as unhas feitas, depilação, cabelo arrumado, roupas novas e todas as regras que englobam a inserção das mulheres nos padrões de beleza. É sobre como as pessoas funcionam, é sobre a dificuldade de ser você quando você é diferente. Amo as iniciativas do GWS! Não deixo passar um post que me encoraje a descobrir quem eu sou e mostrar isso para o mundo. Elas dizem que “…nosso corpo é nosso. As regras são nossas. Ninguém deve nos dizer o que fazer com ele para sermos aceitas. Ninguém deve ser qualquer coisa que outra pessoa além de você mesma quer.” (em mais um de milhares de posts lindos) Isso é foda, é do caralho! Mas como eu faço isso dentro de uma sociedade que me julga, aponta o dedo, olha de cara feia, faz piada, rí, debocha e cochicha do que eu sou?

A primeira opção é não se importar com o que os outros falam. Simples, né? Pode parecer fácil mas como aguentar olhares de repulsa sendo direcionados à você a todo o instante? Quão desestimulante é chegar em um ambiente e ter pessoas dando um passo para trás ao te ver?

Por diversos motivos tenho reparado muito em deficientes físicos. Enquanto eu estava curiosa e admirada ao observar uma pessoa com suas diferenças encarando tudo de uma maneira muito natural, porque para ela aquilo é normal,  fiquei chocada ao ver pessoas ao redor torcendo nariz, dando um passo para trás, estranhando. Eu nunca tinha reparado e me perguntei como elas aguentavam aquilo. Mas elas aguentam porque não tiveram escolha. Ou encaram ou não vivem.

Mas e quando provocar essa reação nas pessoas é evitável? A criança nasce imitando o pai, culturas se propagam, gêneros musicais se definem, línguas se estabelecem e muitas outras coisas acontecem justamente por isso. É próprio do ser humano querer pertencer a um grupo e acompanhar seus hábitos. É muito mais fácil encarar o mundo quando você não está sozinho.

Não ligo para fazer a unha, as vezes tenho preguiça de maquiagem e como a minha pele é negra e meu pelo muito fininho posso até passar o prazo da depilação uma semaninha. Já chegaram pessoas falando para eu andar mais arrumada, fazer mais as unhas, me maquiar mais… Eu rio e falo que vou fazer mas realmente só faço quando quero. Não é que eu não goste, mas as vezes dá preguiça e é isso. Agora, o dia que um monte de gente começar a olhar, se eu reparar uma mulher cutucando a amiguinha do lado e cochichando sobre mim, me analisando de cima a baixo constantemente, desculpa, mas eu saio correndo para dar um jeitinho nisso. Sou errada em não querer parecer um E.T? Eu quero pessoas me elogiando, poxa, eu sou legal! Ouvi uma pessoa dizer que, depois de muitos e muitos anos, está querendo abrir mão de um hábito vestual porque cansou dos olhares, dos dedos apontados e caras estranhas e, acreditem, é um hábito tão simples que eu nem reparei de primeira.

A minha esperança é que existe a segunda opção que torna a primeira bem mais fácil: Pare de ser julgada! Como? Parando de julgar os outros, ora. Toda vez que leio qualquer materia falando sobre esse tema é isso que eu penso e é isso que eu queria que todos pensassem! Eu ainda não sei se quero ser diferente do que eu sou, se preciso expressar algo de diferente que não consigo agora, mas tem pessoas que já descobriram e querem ser do jeito que são, então, não julgue! porque quando você descobrir que tem algo de diferente para mostrar não vai querer ser julgada também.

 

Lei Rouanet, Moda, Arte e o que é Incentivo à moda

A Lei Ruanet, como sempre polêmica, surgiu com mais uma bomba. Dessa vez pro mundo da moda! A bonitinha que já destinou 1,3 milhão para Maria Bethania criar um blog de poesias, agora, insenta fiscalmente Alexandre Herchcovitch , Pedro Lourenço e Ronaldo Fraga  com valores entre 2 e 2,9 milhões. Esses recursos serão destinados para dois desfiles, um no Brasil e outro no exterior entre outras pequenas ações. Se ainda não sabe, pode ler mais sobre isso no FFW.

Bem, um dos questionamentos levantados pela lei é se “Moda é Arte?”. Assim como não temos um documento oficial definindo o conceito geral do que é Arte, temos muito menos um esclarecendo se a moda pertence a esse grupo ou não. Até mesmo as faculdades se dividem, tanto a de moda quanto a de artes . Eu, nessa intersecção sendo aluna de ambas, tento absorver os dois lados e formar a minha opinião. Tentanto ser o mais sucinta, para mim, arte é expressão traduzida em bens materiais ou imateriais. Se existe algo que expressa sentimento, crítica, conceito, provoca, pensa e fala, para mim é arte. E isso faz da Moda, Arte? Depende! Se ela expressa algo, se ela traduz alguma opinião, sentimento, crítica ou simplesmente fale, ela é arte sim. Nada de se é útil, se é quadro, se é comprável ou não. Para a Lei Rouanet, moda cabe muito bem. É um ramo cultural brasileiro que pode ser amplamente explorado. Agora, me pergunto se essa é a forma certa de investir em moda no Brasil como cultura para o mundo.

Os três estilistas beneficiados, criaram projetos que beneficiam a si próprios. Eles que já são renomados, de certa visibilidade lá fora, que já têm força para criação de desfiles nacionais e internacionais. E ainda Pedro Lourenço, que declara com todo orgulho ter estudado em Paris sem ter nenhuma identidade brasileira em seu trabalho, a não ser que se confunda o tema de uma coleção com a identidade de uma carreira. Os desfiles receberam o apoio do Ministério da Cultura uma vez que alegaram que parte dos convites para os desfiles seria para qualquer expectador que se interessar em ir, coisa que não acontece normalmente, que haveria doação de peças desfiladas para museus e instituições, uma possível mostra têxtil e workshops.

Não seria mais interessante se esse projeto beneficiasse aos novos talentos da Casa de Criadores ou do Rio Moda Hype? Para workshops de excelência que não soassem como uma moeda de troca qualquer? Investir em grupos de pesquisa sobre consumo, moda e mercado brasileiro, orientado por eles. Investir em educação! 

Apesar de todos os contras, já é um grande e impactante passo dado. Até mesmo através dos desfiles, sabemos que as empresas vão expandir, precisar de mais funcionários e gerar empregos fazendo a roda girar. Me preocupa a qualidade dessa mão de obra que será exigida, uma vez que temos um grande déficit na educação de moda brasileira. Mas é um passo! Com um pouco mais de critério, podem surgir projetos incríveis a serem apoiados.  Vamos ficar de olho no que está por vir!

E vocês? O que acharam?


 

Em um papo no Facebook, curti o ponto do Dhyogo Oliveira (Moda para Homens):  “Diria pra investir nas costureiras que ficam enfurnadas nos galpões e fundos de fábricas por salários humilhantes, no mercado informal e vergonhoso que a gente tem ainda, em mta quantidade.”