O que pode acontecer se derrubarmos os padrões de beleza?

Estou de férias. Mesmo estando no recesso a caminho  do meu último período da faculdade – podendo estar adiantando todo o meu desenvolvimento de coleção para ter uma vida mais tranquila nos próximos meses – estou de férias e estou lendo. Lí um livro sobre uma menina sem qualidades, outro sobre uma garota atormentada e nos intervalos, muitos textos sobre mulheres. Vocês também já devem ter sido bombardiados por um bocado deles. Aquele sobre xingamentos, aquele escrito por um homem, aquele sobre corpos sarados, aquele sobre seios rosados, aquele print sobre a modelo plus size ou aquele vídeo sobre a superação da “garota mais feia do mundo”. Pois é, coincidência ou não, parece que estamos saindo da caixinha. Estamos deixando de  nos submeter a rótulos e estereótipos que nos reprimem para finalmente encontrar o equilíbrio daquilo que somos, aparentamos e queremos ser. E eu fico imaginando o que mais que muda com essas novidades. Qual a diferença que isso pode trazer pra nossa vida, junto com o bem estar de sermos nós mesmas. Então eu pensei…

01. Os padrões encontrados na mídia

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Óbvio! Não é de hoje que queremos ver pessoas reais na mídia. O boom dos blogs e vlogs veio daí, o boom das selfies veio daí. Era a oportunidade de nos inspirar no possível, de escolher alguém que estivesse perto da nossa realidade, com afinidade cultural, financeira, estética, social ou do que fosse para acompanhar. A Dove já percebeu isso a muito tempo, a TPM – apesar de dar suas mancadas –  também e, é claro, que a gente também percebeu. Mas eu vejo mudar de verdade no dia que encontrarmos modelos de 45 a 110 kg sem rotular qual a categoria de modelo elas são. Sem que a magra demais vire notícia por parecer anoréxica ou a gorda vire notícia por parecer estar acima do peso. O dia que um desfile que tenha 60% de modelos negras não vire notícia por ser incomum. O dia que vamos achar normal ver alguém com rugas e cabelos grisalhos em um catálogo, filme, novela ou série de tv. Seja homem ou mulher!

02. Os julgamentos que fazemos

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Com uma maior democracia entre os padrões de beleza, podemos julgar cada vez menos. Vamos entender que somos diferentes mas não da maneira que entendemos agora, esse diferente querendo ser igual, esse diferente que precisa de um grupo para se encaixar. Vamos ter mais autonomia para sermos diferentes sozinhos, híbridos e vamos conseguir entender uma coisa óbvia: ninguém nasce igual e ninguém tem nada a ver com isso. Cuidar da sua aparência e dos seus gostos é o direito de cada um. Nada te dá o direito de julgar e dar a sua opinião, principalmente negativa, se aquela pessoa não te pediu.

03. As tendências

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Surgindo essa maior autonomia, devemos ver cada vez menos tendências.

Existe  o lado bom da tendência: a industria não pode criar tudo ao mesmo tempo de uma vez, as lojas não podem vender tudo ao mesmo tempo de uma vez e não trabalham com videntes para saber o que as pessoas vão querer usar. A tendência é necessária pra organizar o mercado. Mas ultimamente vejo essa palavra banalizada. Para mim hoje as tendência servem para segregar grupos entre aqueles que estão por dentro do que é fashion e aqueles que estão por fora.

Se formos mais independentes quanto a nossa aparência, vamos precisar cada vez menos seguir e ouvir essa palavra. Ainda devemos querer encontrar maneiras de renovar o nosso estilo, mas isso deve ser muito mais relacionado as nossas afinidades do que uma referência globalizada ditada por alguém que você nem sabe quem.

Sou só eu ou vocês também não adotam uma tendência a muito tempo? A calça listrada, o short-saia da Zara, o sneaker da Isabel Marant são só exemplos de quão desenfreada se tornou essa palavra. Prefiro investir em coisas que eu vou comprar hoje e usar até se desgastar porque tem a ver comigo. Não faz sentido ficar procurando por tendências que podem ser massificadas em menos de um mês.

04. A indústria da moda

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Seguindo menos tendências vamos ter menos necessidade de renovar nosso guarda-roupa e vamos preferir produtos mais duráveis. A modelagem e a tecelagem devem ser fatores importantíssimos na hora de comprar uma peça então a indústria deve se ligar nisso. Principalmente a modelagem que agora deve se atentar a atender todos os tipos de corpo. E isso incluindo pessoas deficientes. Até hoje não entendo porque não estudo modelagem para deficientes na faculdade. Também devemos ver mais tecnologia na moda, tecidos mais inteligentes realmente chegando na nossa casa. Eles devem nos ajudar com essa loucura que anda o clima, com o sedentarismo que tem tomado conta do mundo, com qualquer outro problema que possamos encontrar com um design de roupas. O design de moda realmente deve começar a agregar forma e função ao invés de só fazer girar capital em peças sem qualidade e sem identidade.

05. O consumo em geral

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Mudar a maneira como pensamos e consumimos moda deve alterar também como pensamos e consumimos tudo. Acredito que tudo muda a partir do momento que deixamos de julgar mal as pessoas. É um divisor de águas não viver para o que o outro diz e passar a viver para o que é certo para você. Não se sentir pressionada ou excluída por não ter isso ou aquilo nos deixa mais livres para investir no que realmente é importante para a gente. E esse consumo não é só material. Tanto pode ser uma bolsa quanto uma dieta ou uma cirurgia para ter um corpo que não precisa.

Bem, é claro que esse é só meu ponto de vista -bem otimista por sinal- do que pode acontecer ao derrubarmos – não mudarmos como foi feito durante todos os séculos anteriores, derrubarmos os padrões de beleza e principalmente a maneira sem sentido como julgamos as pessoas. É claro que posso estar errada mas prefiro acreditar que não. Principalmente pelo o que eu tenho visto acontecer.

E vocês, para onde acham que essas mudanças podem nos levar?

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