Sobre dedos apontados quando você está só sendo você

Não é sobre a maquiagem, sobre as unhas feitas, depilação, cabelo arrumado, roupas novas e todas as regras que englobam a inserção das mulheres nos padrões de beleza. É sobre como as pessoas funcionam, é sobre a dificuldade de ser você quando você é diferente. Amo as iniciativas do GWS! Não deixo passar um post que me encoraje a descobrir quem eu sou e mostrar isso para o mundo. Elas dizem que “…nosso corpo é nosso. As regras são nossas. Ninguém deve nos dizer o que fazer com ele para sermos aceitas. Ninguém deve ser qualquer coisa que outra pessoa além de você mesma quer.” (em mais um de milhares de posts lindos) Isso é foda, é do caralho! Mas como eu faço isso dentro de uma sociedade que me julga, aponta o dedo, olha de cara feia, faz piada, rí, debocha e cochicha do que eu sou?

A primeira opção é não se importar com o que os outros falam. Simples, né? Pode parecer fácil mas como aguentar olhares de repulsa sendo direcionados à você a todo o instante? Quão desestimulante é chegar em um ambiente e ter pessoas dando um passo para trás ao te ver?

Por diversos motivos tenho reparado muito em deficientes físicos. Enquanto eu estava curiosa e admirada ao observar uma pessoa com suas diferenças encarando tudo de uma maneira muito natural, porque para ela aquilo é normal,  fiquei chocada ao ver pessoas ao redor torcendo nariz, dando um passo para trás, estranhando. Eu nunca tinha reparado e me perguntei como elas aguentavam aquilo. Mas elas aguentam porque não tiveram escolha. Ou encaram ou não vivem.

Mas e quando provocar essa reação nas pessoas é evitável? A criança nasce imitando o pai, culturas se propagam, gêneros musicais se definem, línguas se estabelecem e muitas outras coisas acontecem justamente por isso. É próprio do ser humano querer pertencer a um grupo e acompanhar seus hábitos. É muito mais fácil encarar o mundo quando você não está sozinho.

Não ligo para fazer a unha, as vezes tenho preguiça de maquiagem e como a minha pele é negra e meu pelo muito fininho posso até passar o prazo da depilação uma semaninha. Já chegaram pessoas falando para eu andar mais arrumada, fazer mais as unhas, me maquiar mais… Eu rio e falo que vou fazer mas realmente só faço quando quero. Não é que eu não goste, mas as vezes dá preguiça e é isso. Agora, o dia que um monte de gente começar a olhar, se eu reparar uma mulher cutucando a amiguinha do lado e cochichando sobre mim, me analisando de cima a baixo constantemente, desculpa, mas eu saio correndo para dar um jeitinho nisso. Sou errada em não querer parecer um E.T? Eu quero pessoas me elogiando, poxa, eu sou legal! Ouvi uma pessoa dizer que, depois de muitos e muitos anos, está querendo abrir mão de um hábito vestual porque cansou dos olhares, dos dedos apontados e caras estranhas e, acreditem, é um hábito tão simples que eu nem reparei de primeira.

A minha esperança é que existe a segunda opção que torna a primeira bem mais fácil: Pare de ser julgada! Como? Parando de julgar os outros, ora. Toda vez que leio qualquer materia falando sobre esse tema é isso que eu penso e é isso que eu queria que todos pensassem! Eu ainda não sei se quero ser diferente do que eu sou, se preciso expressar algo de diferente que não consigo agora, mas tem pessoas que já descobriram e querem ser do jeito que são, então, não julgue! porque quando você descobrir que tem algo de diferente para mostrar não vai querer ser julgada também.

 

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