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Quando foi que a gente parou de amar se vestir?

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Reprodução – Pinterest

Só mais 5 minutinhos. Deve ser porque o dia está nublado e hoje está frio. Só mais 5 minutinhos. Deve ser porque ontem cismei de assistir 3 episódios daquela série que eu só deveria ter assistido um. Só mais 5 minutinhos. Deve ser porque ontem fiquei tempo demais no happy hour. Só mais 5 minutinhos. Levanta da cama, toma banho, escova o dente, veste a primeira coisa que viu e vai.

Quando foi que a gente parou de amar se vestir? É mágico poder se dar ao luxo de mais 5 minutinhos, deixar de lado a maquiagem, vestir a primeira coisa que viu e ir porque a noite de ontem foi muito mais proveitosa. Mas quando foi que deixamos de ver a magia daquela roupa que a gente tanto queria usar? Um monte de tendências, de ideias de como usar, o nosso pinterest abarrotado de inspirações e aquele print do instagram que a gente jurou que ia funcionar. Tudo virou um jogo de frustrações quando nos olhamos no espelho e não vemos brilhar aquela foto que estava na referência. Frustração porque a inspiração de verdade é aquela que vem de dentro e não de fora.

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O que pode acontecer se derrubarmos os padrões de beleza?

Estou de férias. Mesmo estando no recesso a caminho  do meu último período da faculdade – podendo estar adiantando todo o meu desenvolvimento de coleção para ter uma vida mais tranquila nos próximos meses – estou de férias e estou lendo. Lí um livro sobre uma menina sem qualidades, outro sobre uma garota atormentada e nos intervalos, muitos textos sobre mulheres. Vocês também já devem ter sido bombardiados por um bocado deles. Aquele sobre xingamentos, aquele escrito por um homem, aquele sobre corpos sarados, aquele sobre seios rosados, aquele print sobre a modelo plus size ou aquele vídeo sobre a superação da “garota mais feia do mundo”. Pois é, coincidência ou não, parece que estamos saindo da caixinha. Estamos deixando de  nos submeter a rótulos e estereótipos que nos reprimem para finalmente encontrar o equilíbrio daquilo que somos, aparentamos e queremos ser. E eu fico imaginando o que mais que muda com essas novidades. Qual a diferença que isso pode trazer pra nossa vida, junto com o bem estar de sermos nós mesmas. Então eu pensei…

01. Os padrões encontrados na mídia

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Óbvio! Não é de hoje que queremos ver pessoas reais na mídia. O boom dos blogs e vlogs veio daí, o boom das selfies veio daí. Era a oportunidade de nos inspirar no possível, de escolher alguém que estivesse perto da nossa realidade, com afinidade cultural, financeira, estética, social ou do que fosse para acompanhar. A Dove já percebeu isso a muito tempo, a TPM – apesar de dar suas mancadas –  também e, é claro, que a gente também percebeu. Mas eu vejo mudar de verdade no dia que encontrarmos modelos de 45 a 110 kg sem rotular qual a categoria de modelo elas são. Sem que a magra demais vire notícia por parecer anoréxica ou a gorda vire notícia por parecer estar acima do peso. O dia que um desfile que tenha 60% de modelos negras não vire notícia por ser incomum. O dia que vamos achar normal ver alguém com rugas e cabelos grisalhos em um catálogo, filme, novela ou série de tv. Seja homem ou mulher!

02. Os julgamentos que fazemos

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Com uma maior democracia entre os padrões de beleza, podemos julgar cada vez menos. Vamos entender que somos diferentes mas não da maneira que entendemos agora, esse diferente querendo ser igual, esse diferente que precisa de um grupo para se encaixar. Vamos ter mais autonomia para sermos diferentes sozinhos, híbridos e vamos conseguir entender uma coisa óbvia: ninguém nasce igual e ninguém tem nada a ver com isso. Cuidar da sua aparência e dos seus gostos é o direito de cada um. Nada te dá o direito de julgar e dar a sua opinião, principalmente negativa, se aquela pessoa não te pediu.

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YSL, Hedi Slimane e Continuidade de marcas

A continuidade de uma marca após a troca de seu diretor criativo é sempre um assunto polêmico. Por mais que se estude sobre o legado da marca, é impossível prever como o estilista fundador se portaria diante do passar dos anos. Quase todas as grandes maisons, perderam seus estilistas fundadores e foram submetidas a esse processo. Mais ou menos recentemente, foi a entrada de Hedi Slimane na direção da YSL que fez o maior estardalhaço. Isso porque o estilista tem uma pegada jovem, claramente ligada ao rock grunge, característica que não era nem de perto a do público alvo da YSL com suas cinturas altas, saias lápis midi, tecidos caros e visual sofisticado.

Só não entendo essa necessidade que as pessoas têm de manter padrões estabelecidos. Mais importante é ter zeitgeist e saber qual é seu tempo, com quem você está falando e o que quer transmitir. Yves Saint Laurent era o cara zeitgeist nos anos 60! Por isso que a maison tem a credibilidade que tem. Foi ele quem deu às mulheres o prazer de desfrutar de um smoking feminino, foi o primeiro a usar modelos negras em seus desfiles e mais do que qualquer outro, para mim, seu maior feito foi relacionar o seu trabalho com a arte modernista transformando um quadro de Piet Mondrian em uma coleção de moda. E uma coleção que dizia tudo sobre a juventude da época. Toda a androgenia e frescor da década de 60 estavam presentes lá.

Passaram-se os anos e Yves foi amadurecendo e essa maturidade refletindo em seu trabalho. É assim com todos os criadores. Nos anos 2000, ele continuou fazendo roupas belíssimas para suas mesmas “meninas” dos anos 60. Stefano Pilati, seu sucessor, manteve a mesma proposta. Até ser substituído por Hedi.

A arte contemporânea está profundamente ligada às tecnologias. O vídeo, a fotografia e a música, mesmo quando não são eles mesmos os meios de expressão artística, quase sempre estão ligados ao seu processo de criação. Ao meu ver, Hedi, mais do que criar coleções, fotografar e filmar,  sabe como ninguém fazer peças que compõem um diálogo lindo com essas mídias. Algo que conversa com o jeito que o Yves trabalhou com Mondrian. É claro que a entrada de Hedi na marca tem muito mais a ver com uma virada visando valor de mercado do que com conceito. Mas estrelismos à parte, Hedi é um cara talentosíssimo e merece sim o nome da marca que carrega. Que Yves esteja orgulhoso!

Tudo isso porque estou apaixonada por esse novo vídeo.

Essa menina não lembra Alexa Chung? E ela não parece uma versão moderninha das meninas do Yves dos anos 60?

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A historia da moda e do amor

Umas das coisas mais fascinantes da moda é que ela acompanha a historia do mundo, da sociedade e como ela se comporta. Desde que a roupa deixou de cobrir o corpo só por proteção, ela expressa muito sobre a gente. Lá na Europa, na Idade Média, com o nascimento da burguesia e seu hábito de copiar as roupas dos nobres, já dizia muito sobre ser e parecer. Mas junto com essa burguesia também começou a disseminar uma coisa que até então era proibida: o amor, uma característica da moda muito mais interessante e que tem muito mais a ver com a maneira como usamos ela hoje.

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Foi com a burguesia que a dura divisão de classes se desestabilizou e, essa nova camada, que não tinha regimes pré-definidos, estabeleceu seus próprios padrões. Entre eles estava o casamento por amor, coisa que até então não existia. Esse amor era moldado e o homem valorizava a mulher que fosse contribuir para a acumulação de riquezas da família sendo uma boa dona de casa.  Logo, os homens se “apaixonavam” pelas mulheres que aparentassem essas características, mas foi o suficiente para que a moda começasse a apresentar símbolos de comunicação interpessoal e individualidade.

E encontramos essas características até hoje. A gente sabe que a nossa imagem comunica as nossas características e ela fala mais alto quando tratamos de amor.  Entender, só de olhar, quem é aquela pessoa já faz com que surja o interesse por conhecê-la melhor. E externar as características certas, além de nos fazer sentir mais confiantes e seguras, faz com que a gente possa atrair a pessoa que tem mais a ver com a gente.


Eu adorei esse assunto e quero falar mais sobre ele. Mas enquanto penso um pouco mais sobre, dá pra ler um pouco sobre a história do amor aqui e sobre essa relação no capítulo Estética da Sedução do Império do Efêmero de Gilles Lipovetsky.

Lei Rouanet, Moda, Arte e o que é Incentivo à moda

A Lei Ruanet, como sempre polêmica, surgiu com mais uma bomba. Dessa vez pro mundo da moda! A bonitinha que já destinou 1,3 milhão para Maria Bethania criar um blog de poesias, agora, insenta fiscalmente Alexandre Herchcovitch , Pedro Lourenço e Ronaldo Fraga  com valores entre 2 e 2,9 milhões. Esses recursos serão destinados para dois desfiles, um no Brasil e outro no exterior entre outras pequenas ações. Se ainda não sabe, pode ler mais sobre isso no FFW.

Bem, um dos questionamentos levantados pela lei é se “Moda é Arte?”. Assim como não temos um documento oficial definindo o conceito geral do que é Arte, temos muito menos um esclarecendo se a moda pertence a esse grupo ou não. Até mesmo as faculdades se dividem, tanto a de moda quanto a de artes . Eu, nessa intersecção sendo aluna de ambas, tento absorver os dois lados e formar a minha opinião. Tentanto ser o mais sucinta, para mim, arte é expressão traduzida em bens materiais ou imateriais. Se existe algo que expressa sentimento, crítica, conceito, provoca, pensa e fala, para mim é arte. E isso faz da Moda, Arte? Depende! Se ela expressa algo, se ela traduz alguma opinião, sentimento, crítica ou simplesmente fale, ela é arte sim. Nada de se é útil, se é quadro, se é comprável ou não. Para a Lei Rouanet, moda cabe muito bem. É um ramo cultural brasileiro que pode ser amplamente explorado. Agora, me pergunto se essa é a forma certa de investir em moda no Brasil como cultura para o mundo.

Os três estilistas beneficiados, criaram projetos que beneficiam a si próprios. Eles que já são renomados, de certa visibilidade lá fora, que já têm força para criação de desfiles nacionais e internacionais. E ainda Pedro Lourenço, que declara com todo orgulho ter estudado em Paris sem ter nenhuma identidade brasileira em seu trabalho, a não ser que se confunda o tema de uma coleção com a identidade de uma carreira. Os desfiles receberam o apoio do Ministério da Cultura uma vez que alegaram que parte dos convites para os desfiles seria para qualquer expectador que se interessar em ir, coisa que não acontece normalmente, que haveria doação de peças desfiladas para museus e instituições, uma possível mostra têxtil e workshops.

Não seria mais interessante se esse projeto beneficiasse aos novos talentos da Casa de Criadores ou do Rio Moda Hype? Para workshops de excelência que não soassem como uma moeda de troca qualquer? Investir em grupos de pesquisa sobre consumo, moda e mercado brasileiro, orientado por eles. Investir em educação! 

Apesar de todos os contras, já é um grande e impactante passo dado. Até mesmo através dos desfiles, sabemos que as empresas vão expandir, precisar de mais funcionários e gerar empregos fazendo a roda girar. Me preocupa a qualidade dessa mão de obra que será exigida, uma vez que temos um grande déficit na educação de moda brasileira. Mas é um passo! Com um pouco mais de critério, podem surgir projetos incríveis a serem apoiados.  Vamos ficar de olho no que está por vir!

E vocês? O que acharam?


 

Em um papo no Facebook, curti o ponto do Dhyogo Oliveira (Moda para Homens):  “Diria pra investir nas costureiras que ficam enfurnadas nos galpões e fundos de fábricas por salários humilhantes, no mercado informal e vergonhoso que a gente tem ainda, em mta quantidade.”