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Dope e as expectativas que a gente cria

Tem aquela teoria que diz que todas as capas de filmes estão ficando iguais. E que oportunidade estão perdendo os designers porque se tem uma coisa que me convence a ver um filme em 30 segundos é a capa. E foi assim que eu conheci Dope. Certo dia, rolando pelo feed do PopcornTime ví na capa três meninos negros andando de bicicleta, vestidos com uma roupa meio anos 90 e uma descrição: “It’s hard out there for a geek (Todo o dia um 7×1 pros geeks – traduzindo)“. Quantas coisas na vida conseguem te convencer com uma imagem e meia dúzia de palavras? Dei o play.

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Imagem: Dope; Rick Famuyiwa (2015)

Mas tudo bem se você está um pouco mais resistente do que eu, vou te dar mais alguns motivos pra você assistir Dope quando você estiver afim de deixar pro dia seguinte aquilo que você deveria ter feito no dia anterior. Você já parou para perceber que aquela história de ter alma negra nada mais é do que lidar com expectativas? A tal alma é simplesmente o que a sociedade espera que você faça, como espera que você aja, quem ela espera que você seja e, eu vou te contar um segredo, pessoas negras são as mais taxadas dentro dessas expectativas, por isso todo mundo sabe o que é a tal “alma negra”. Enquanto isso, tente me dizer o que seria a alma branca? Vago, não é mesmo? Mas se tocar um samba, a menina negra é a primeira que as pessoas esperam ver sambar. E de alguma forma, por mais inocente que isso possa parecer, essas expectativas se tornam preconceitos que nem sempre se tratam sobre dois passinhos pra lá e um pra cá. Imagina o que isso representa quando você precisa contratar uma pessoa negra para trabalhar na empresa? Ou para o papel central em um filme ou série? Ou até mesmo pra se relacionar?

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Imagem: Dope; Rick Famuyiwa (2015)

Foi mal se essa descrição pareceu muito profunda pra um filme de comédia. Mas não fica esperando menos desse filme não. Ele veio com uma fotografia incrível, uma trilha sonora super original e aquele cheirinho de nostalgia com Will Smith passando no SBT enquanto a gente come bife com batata frita. Mas tudo isso foi feito pra te dar um toque sobre um assunto sério que eu tenho certeza que você vai se divertir ao assistir!

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Personagens negras tão incríveis quanto todas deveriam ser

Em um momento onde temos clamado por representatividade, é muito gratificante ver pela primeira vez na história uma atriz negra ganhar um Emmy de melhor atriz e, tendo na mesma noite, outras duas atrizes negras ganhando prêmios pelo seu trabalho na tv. Nessas horas a gente se pergunta qual a porcentagem de personagens negras realmente relevantes nas séries. Aquelas que têm uma história própria, personalidade e que foram construídas com carinho. Independente de serem protagonistas ou não.

Iris West, The Flash

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Se tem um motivo para esse post existir, esse motivo é a Iris West, personagem de Candice Patton em The Flash. Faz pouco tempo que comecei a assistir a série motivada pela possibilidade de viagens no tempo (e uma leve insistência do namorado) que a história do Bruce Allen apresenta. Foi então que dei de cara com a Iris, que nos quadrinhos é ruiva caucasiana mas isso não impediu que na série ela fosse interpretada por uma mulher negra. E o melhor, a personagem é incrivelmente intensa, tem personalidade e não está alí só para servir de apoio para o Flash crescer como muitas personagens femininas acabam se limitando. Ela tem a sua história, seu trabalho, suas paixões, sua vida com seus namoros, acertos e desilusões igual a todo mundo e ainda ouvi falar que ela desenvolve como nenhuma outra tendo posicionamentos inspiradores diante das situações estranhas que a trama propõe.

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Qual o problema de mulheres brancas de black power?

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O PASSO A PASSO DO CABELO AFRO

 

1. Nasça com um cabelo que acha lindo. Aquele que te representa, cria laços com a sua família, cria afeto e identificação com os seus pais e de onde você veio. Quando você é criança as pessoas vão amar o seu cabelo e sempre querem roubar os seus cachinhos.

2. Cresça mais um pouco e entre na escola. Lá encontre amiguinhos com diferentes opiniões, criados de maneira diferente e que, muitas vezes, não entendem essas diferenças. Ouça apelidos com os quais não se identifica, sempre escondidos por trás de uma brincadeira.

3. Entre na adolescência e veja que a mídia que não te representa. Não existe ninguém da sua cor interpretando papeis importantes nas novelas, séries e filmes. Você vê produtos e matérias sobre beleza que não servem para você. É difícil achar maquiagem acessível e adequada para o seu tom de pele e produtos que respeitem o seu cabelo.

4. Já mais velha abra um revista e veja um passo a passo de como ter um lindo cabelo afro, volumoso, cheio de cachos e atitude. Você começa a se sentir representada. Leia o restante da matéria e descubra que, depois do asterisco, ele foi feito em um cabelo liso de uma mulher branca

Esta edição da revista Allure que criou polêmica ao trazer uma matéria sobre como ter um cabelo black power, mesmo quando você tem o cabelo liso. E algo semelhante já havia acontecido com a Teen Vogue, a um tempo atrás. Podemos dizer que não tem nenhum problema quando uma pessoa branca quer usar um cabelo black. Nós podemos fazer o que quisermos com o nosso cabelo seja deixar ele preto, branco, colorido, cacheado, black power ou liso. O problema é que as notícias sobre beleza continuam sendo voltadas, constantemente, para mulheres brancas, magras e, claro, cisgênero. Ensinar uma mulher branca a atingir um visual black power não inclui mulheres negras. Soa como se fossemos minoria, como se uma matéria sobre o cabelo afro ficasse mais coerente quando voltada para uma mulher branca, excluindo, como sempre as mulheres negras. A gente quer que seja normal ver uma pessoa negra na capa de uma revista, nos editoriais, nas fotos dos e commerces (já perceberam o quanto isso é raro?). A gente quer se sentir representada e incluída, e não vai ser mostrando como uma mulher branca pode usar um cabelo cacheado que isso vai acontecer.