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Lei Rouanet, Moda, Arte e o que é Incentivo à moda

A Lei Ruanet, como sempre polêmica, surgiu com mais uma bomba. Dessa vez pro mundo da moda! A bonitinha que já destinou 1,3 milhão para Maria Bethania criar um blog de poesias, agora, insenta fiscalmente Alexandre Herchcovitch , Pedro Lourenço e Ronaldo Fraga  com valores entre 2 e 2,9 milhões. Esses recursos serão destinados para dois desfiles, um no Brasil e outro no exterior entre outras pequenas ações. Se ainda não sabe, pode ler mais sobre isso no FFW.

Bem, um dos questionamentos levantados pela lei é se “Moda é Arte?”. Assim como não temos um documento oficial definindo o conceito geral do que é Arte, temos muito menos um esclarecendo se a moda pertence a esse grupo ou não. Até mesmo as faculdades se dividem, tanto a de moda quanto a de artes . Eu, nessa intersecção sendo aluna de ambas, tento absorver os dois lados e formar a minha opinião. Tentanto ser o mais sucinta, para mim, arte é expressão traduzida em bens materiais ou imateriais. Se existe algo que expressa sentimento, crítica, conceito, provoca, pensa e fala, para mim é arte. E isso faz da Moda, Arte? Depende! Se ela expressa algo, se ela traduz alguma opinião, sentimento, crítica ou simplesmente fale, ela é arte sim. Nada de se é útil, se é quadro, se é comprável ou não. Para a Lei Rouanet, moda cabe muito bem. É um ramo cultural brasileiro que pode ser amplamente explorado. Agora, me pergunto se essa é a forma certa de investir em moda no Brasil como cultura para o mundo.

Os três estilistas beneficiados, criaram projetos que beneficiam a si próprios. Eles que já são renomados, de certa visibilidade lá fora, que já têm força para criação de desfiles nacionais e internacionais. E ainda Pedro Lourenço, que declara com todo orgulho ter estudado em Paris sem ter nenhuma identidade brasileira em seu trabalho, a não ser que se confunda o tema de uma coleção com a identidade de uma carreira. Os desfiles receberam o apoio do Ministério da Cultura uma vez que alegaram que parte dos convites para os desfiles seria para qualquer expectador que se interessar em ir, coisa que não acontece normalmente, que haveria doação de peças desfiladas para museus e instituições, uma possível mostra têxtil e workshops.

Não seria mais interessante se esse projeto beneficiasse aos novos talentos da Casa de Criadores ou do Rio Moda Hype? Para workshops de excelência que não soassem como uma moeda de troca qualquer? Investir em grupos de pesquisa sobre consumo, moda e mercado brasileiro, orientado por eles. Investir em educação! 

Apesar de todos os contras, já é um grande e impactante passo dado. Até mesmo através dos desfiles, sabemos que as empresas vão expandir, precisar de mais funcionários e gerar empregos fazendo a roda girar. Me preocupa a qualidade dessa mão de obra que será exigida, uma vez que temos um grande déficit na educação de moda brasileira. Mas é um passo! Com um pouco mais de critério, podem surgir projetos incríveis a serem apoiados.  Vamos ficar de olho no que está por vir!

E vocês? O que acharam?


 

Em um papo no Facebook, curti o ponto do Dhyogo Oliveira (Moda para Homens):  “Diria pra investir nas costureiras que ficam enfurnadas nos galpões e fundos de fábricas por salários humilhantes, no mercado informal e vergonhoso que a gente tem ainda, em mta quantidade.”